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tardes da noite

        muito cedo se desvanescem

       os sonhos da cidade insone.

 

        entre suas casas semiguais

           os meus versos se dissipam,

 

            e ante os seus verbos, ventos

               intensos, ou ainda muito mais,

         se despraçam, esvoam as minhas palavras.

 

          e as perco neste labirinto de silêncios, que

          mostra ânimos de querer por completo me engolir.

 

em seus trilhos centenários, eixos muito tensos,

 amplos parques e praças, binários, arquipélagos,

 logradouros onde tropeçam, sonâmbulas, as notas

  e presságios desta complexa sinfonia, que aqui,

  sem qualquer cuidado, me dispenso a rabiscar.

 

   pelas suas veias aéreas, lácteas, vagam

 as vírgulas ondulantes com que proclamo

  a dura soberba, a frondosa exuberância 

 

desta cidade míope, sem ouvidos,

 

                        onde nada se consuma

 

                             sem que antes

 

           se possa

 

                dizer

 

                                           um

   

      [ou

    

                                        outro]

 

           não!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[imagem: Gabriel F. H. Dutra]


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