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n’olho d’água

eis que, já chegando às alturas

 

mais ou menos da metade do monte

 

que decidira escalar, ele parou.

 

 

 

aproveitou para respirar, repor-se.

 

mas não aproveitou a vista, não.

 

logo depois já se foi, novamente.

 

 

 

retomou a sua rota, em direção ao topo.

 

 

 

lá chegando, encontrou o velho lago abandonado,

 

resseco de séculos de esgotamentos sucessivos,

 

à morte. e ressentiu-se muito de tudo aquilo.

 

 baixou a cabeça, triste, enternecido.

 

 

 

depois pousou a sua mão esquerda à margem direita

 

 

 

e dali brotaram então, espontâneas, longuíssimas

 

lágrimas, que transbordaram correntezabaixo,

 

fertilizando os vales, reflorindo os campos.

 

 

 

 e é bem provável que por lá ele ainda esteja.

 

 

 

diz-se que foi absorvido pela hera, as raízes

 

entrando fundo pelas pontas dos seus dedos.

 

 

 

foi ficando, pois, definitiva e irreversivelmente

 

integrado ao lago, preso ao seu sono híbrido.

 

 

 

tornou-se mito: sua fonte para sempre sendo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 [imagem emprestada daqui]


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