Asasazuis

Mirar o mar

 

círculos e círculos

oscilam agônicos

num horizonte sem fundo

de estreitas espirais.

 

fibras da mesma cor

cintilam sobre as ondas

formando um escudo de escamas

                  ou serpentes de metal.

 

grandes estrelas

evaporam lentas

num ritmo de amanhecer.

 

e então logo surgem

dançando muito muito

como elétricos anéis

os minerais do movimento

com seu sal e suas leis.

 

nascem as procuras

perdem-se as esperas

e as horas se exasperam

   im per tur bá veis

   in  des tru  tí  veis

como os tristes e cruéis

coronéis da primavera.

 

crescem castelos de espuma

do centro nervoso das águas

 e espadas de gume fixo

protegem certas aves

de certos peixes

e os peixes

de certo voo

difícil e

final.

 

canoas de largo calado

afundam seus remos agudos

            suas agulhas vegetais

no dorso imenso das ondas

sombras adentro,

                sombras adentro.

 

cintilam fibras coloridas

nas bordas extremas da água,

no fundo dessa taça de fogo

que nasce e cresce de dentro

dos círculos e círculos do mar.

 


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