LuzazuL

caçada

duas da madruga,

 

o predador ronda à solta.

 

 

glândulas secretam líquidos automáticos

 

aos primeiros odores da presa já próxima:

 

 

ataca logo, assim que vê, com ávido desembaraço.

 

golpeia a vítima indefesa logo acima da clavícula.

 

 

o sangue se esvai, misturando-se à saliva quente.

 

o tronco ferido, já todo mocorongo, não responde.

 

 

bombas antigas pneumam gases em busca de atmosfera.

 

 

quando, prendendo dentes contra as carnes surdas

 

e os músculos neutros daquele corpo, a ânsia

 

da fera cessar, saciada dos néctares azuis

 

daquele corpo, ofertado em sacrifício

 

para o deleite dos seus sentidos,

 

 

na madrugada, então,

 

fome já não existirá.


Comente!