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11.01.2014

Impressões sobre “visAvis”


Enéas Athanázio

 

 

O novo livro de poemas de Cláudio Dutra, “visAvis” (Editora Insular – Florianópolis – 2014), é surpreendente. Surpreende pela elevação e pela qualidade dos poemas que compõem o  volume de 174 páginas. São todos, sem exceção, construídos de maneira meticulosa e dosada, em que cada vocábulo é escolhido com precisão, sem a possibilidade de substituição, como quem coloca uma pequena peça única e sem igual num maquinismo complexo, cuja integralidade só o autor poderá antever.

É um processo criativo que se envolve em denso mistério, ao se formar na alma do poeta, e que nem a mais acurada crítica psicológica consegue explicar. Por que usa este vocábulo e não aquele outro? Porque, sem dúvida, a diferença poderia ser sutil, mínima, talvez sem importância aparente à primeira vista, mas cujo resultado seria inevitavelmente diverso.

É que a sensação vivida no instante criativo, a emoção daquele momento, o estado de alma reinante e a ideia que cintila na cabeça precisam ser captadas e perenizadas na palavra, antes que se esfumem no ar.

É essa luta do poeta com os vocábulos, para que sejam fiéis e retratem com exatidão o seu pensamento, que faz a grandeza deste livro de Cláudio Dutra.

Aqui ele inscreveu de maneira admirável as suas concepções, ideias, sentimentos e, enfim, a sua visão de mundo, com rara criatividade, vencendo com bravura o desafio que se impôs e que se estampa no próprio título da obra: frente a frente.

Resta ao leitor, com paciência, espírito aberto e imaginação, mergulhar de cabeça na leitura, para melhor usufruir o prazer do contato com a boa poesia.



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